O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta a mostra Japão Pop, O Novo Cinema Japonês composta por um painel da moderna produção cinematográfica daquele país. Atualmente, o Japão é dos centros mais avançados no campo das artes; assumiu uma posição única e privilegiada no cenário cultural neste novo milênio e o cinema reflete as rápidas mudanças tecnológicas absorvidas pelo país. No ocidente, o espectador pode observar que, no outro lado do planeta, o tradicional e o novo devem estar em sintonia para que o passado possa permitir uma projeção mais segura rumo ao futuro.
As primeiras produções do cinema japonês replicavam as obras do teatro dramático, o kabuki. Numa constante evolução chegamos aos conflitos de uma sociedade tratados de maneira crua e sincera. São onze filmes aclamados pela crítica e pelo público, inéditos no Brasil, que retratam a qualidade do cinema arte, profundamente humanista e do cinema entretenimento, que revela uma cultura Pop peculiar e divertida, identificada com os fenômenos de massa.
O Japão é um país cuja cultura milenar é reconhecida e apreciada em todo o mundo. Sua tradição artística não só carrega uma enorme importância histórica, como continua a ser exercida e respeitada por seu povo nas diversas regiões do país. A convivência diária com essa tradição e com o acesso aos produtos da mais avançada tecnologia imprime aos criadores contemporâneos japoneses características únicas dentro do universo artístico e cultural internacional, nas mais diversas áreas de atuação, como design, moda, artes plásticas, música, teatro e cinema.
Dentro de um cenário cultural mundial cada vez mais dominado e influenciado por uma produção massificada e de consumo rápido como a da indústria norte-americana de entretenimento, é de fundamental importância a oportunidade de conhecer e observar uma arte que consegue exprimir, ao mesmo tempo, tanto as questões individuais mais íntimas de seu povo, como a profunda herança cultural sob a qual, ainda que inconscientemente, ele se orienta.
A mostra Japão Pop, O Novo Cinema Japonês traz ao Brasil alguns dos melhores exemplos da produção cinematográfica japonesa atual, nos colocando em dia com uma produção artística de enorme riqueza e originalidade e com grande poder de reflexão sobre as dinâmicas atuais de sua população. Ao concentrar sua temática na população jovem, a seleção de filmes apresentados mira seu olhar sobre a camada da sociedade que mais sente os efeitos de um momento de transição, onde os contrastes entre o novo e o antigo aliados às dificuldades inerentes ao período de formação da própria personalidade criam uma série de conflitos que situam o jovem japonês em uma espécie de encruzilhada, cujas saídas diversas são tratadas, também em formas diversas, por cada um dos cineastas representados.
O olhar sensível e sincero com o qual Ryuichi Hiroki ( It’s Only Talk, Vibrator) e Naomi Kawase (Hotaru) se debruçam sobre a condição psicológica de suas personagens, é contrastado pela linguagem pop, com características bem peculiares, de filmes como Otakus In Love e Ping Pong. A visão de vários cineastas, em filmes curtos, sobre a mulher contemporânea e as implicações sentimentais e psicológicas do sexo em suas vidas, das coletâneas Female e Tokyo Noir, é contrastada pelas relevantes questões de um casal gay de Rush!, que junto com uma mulher que deseja ser mãe, tentam buscar uma nova definição de família. E a impressão crua e pessimista da condição sufocante de um grupo de alunos ginasiais, em Blue Spring, encontra seu reflexo na delirante experiência sonora e visual de Electric Dragon 80000V.
O novo e o antigo, o sensível e o violento, o íntimo e o exacerbado, o tradicional e o inovador, o individual e o popular; extremos que convivem lado a lado no cotidiano de uma sociedade em transição, e que ressoam no comportamento desses jovens personagens que agora temos a oportunidade de conhecer, por meio do trabalho de alguns dos melhores artistas japoneses da atualidade.
