Não há melhor forma de conhecer um povo do que através de seu humor e de seu drama: é na comedia que ele fala abertamente de seu cotidiano; é nas entrelinhas de cada piada, entre ironias e metáforas, que vemos transparecer suas vontades, seus tabus e suas frustrações. Mas é na maneira quase cômica como encaram suas tragédias que vemos sua força e determinação. Mostrar um painel - histórico e atual - da comédia e do melodrama cubano não é brincar com fogo. É, sim, um ótimo exercício de tentarmos compreender uma sociedade tão rica, pelas mais genuínas manifestações de seu povo.
Não raro, riso e infortúnio são opostos que se confundem na mais perfeita das tragicomédias, numa combinação sutil capaz de funcionar como espelho da cultura de um povo. Isso é tanto mais verdade em se tratando de uma população isolada menos pela geografia que por embargos econômicos e circunstâncias políticas. Ao apresentar Hay Que Reirse, y Llorar También - A Comédia e o Melodrama no Cinema Cubano, o Centro Cultural Banco do Brasil convida o público a desvendar o que há realmente de esfuziante e passional nos habitantes da ilha.
Repletas de referências aos brios e frustrações dos cubanos, as comédias constituem fonte preciosa para se conhecer a alma local, pois são produzidas quase inteiramente para consumo interno e abusam de metáforas e ironias peculiares. Os dramas - alguns verdadeiros dramalhões, no melhor estilo das novelas latino-americanas - deixam entrever anseios e interdições. Postos lado a lado, os dois gêneros oferecem um painel de idiossincrasias únicas.
O Banco do Brasil, através deste programa, incentiva a comunicação entre os povos e colabora para a reflexão sobre as nuances da diversidade cultural, exercício ainda mais desafiador dada a notável afinidade de temperamento entre brasileiros e cubanos.
